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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Cuidando de dona Carolina [conto]

Perfuro com a agulha a pele frágil do braço de dona Carolina, que não oferece resistência alguma. Ela tem o olhar cada vez mais distante. É apenas o restinho de uma vida que ronca sobre a cama a intervalos cada vez mais curtos. A textura lembra um plástico fino e brilhoso que o tempo tivesse estendido sobre seu corpo. Aperto a seringa vagarosamente e vejo meu sangue negro escarlate se injetando e começando a desaparecer dentro de sua veia. Penso que desta vez deve ser o suficiente. Ela me olha agradecida e volta a dormir. Daria mais, se fosse preciso, para acabar com seu sofrimento. Para que ela tivesse mais da força de que precisa.